Holanda · vida de imigrante

Um ano de Holanda

Dia 10 de agosto faz um ano que saí do Brasil.

Já voltei uma vez, e confesso que já foi meio esquisito: ainda não estava definitivamente fora do país porque justamente tinha aquela viagem de volta já marcada para ali 90 dias. Mas também já não estava lá, porque minhas coisas e minha vida começavam a se acomodar na Holanda.

Minha casa não era mais a minha casa.

Depois saí, sem data para voltar, se bem que com alguma vontade. As coisas se encaixaram aqui de uma forma que eu não previ. Pode ser fase de lua de mel, sim, tem disso. Mas pode ser que não, e eu espero que esse sentimento confortável que tenho vivendo aqui fique.

Claro que a saudade existe, e acho que vai existir sempre. Pelas pessoas que amo e que estão longe, pela minha vida de lá que não existe mais, pelo pão de queijo nosso de cada dia que não tenho mais. Mas aqui já tenho rotina, já tenho amigos, trabalho, sonhos. Até marcas favoritas no mercado, programas tradicionais de cada dia. Uma vida nova que se formou.

Então, parabéns para mim, por um ano de vida holandesa. Por um ano de saudade, e por um ano de novas descobertas.

Holanda

Keukenhof 2017

Esse ano finalmente consegui ir no Keukenhof – antes eu nunca estava por terras holandesas nessa época. Aí eu e namorido arrumamos um dia em abril na agenda louca e apertada nossa e se mandamos para ver esse sonho de flores.

A inspiração desse ano foi Mondrian, e estava tudo simplesmente lindo.

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Comprei o ingresso online no Holandesando para evitar filas, o que recomendo. Reparem que fomos em um terça-feira com chuva e claro, estava cheio.

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O que tem por lá? Flores, flores e mais flores. Mas também tem lago, moinho, lojinhas, restaurantes… tudo organizado e estruturado. Dá para ir com crianças e idosos tranquilamente.

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É sim super turístico mas confie, não tem como não pirar. As cores são simplesmente surreais, parece um sonho. Eu super indico porque é um lugar único.

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E isso, minha gente, são flores e mais flores ❤

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O passeio todo durou umas 4 horas. Minhas dicas são básicas: sapatos confortáveis, câmeras para não perder um clique porque não tem como não pirar, garrafinha de água e companhia, nem que seja para tirar fotos suas (nem tudo na vida é selfie né).

A edição desse ano já foi, esse post que veio atrasado. Mas se não deu tempo de ir programe para o ano que vem. Ah e nesse ano ainda tem os desfiles de carros de flores que acontecem entre agosto e setembro em várias cidades, vale a pena procurar.

Holanda · vida de imigrante

Trabalhar na Holanda

Ensaiei muito para escrever esse post porque não tenho pretensão de fazer desse espaço um guia da Holanda – é um blog com foco extremamente pessoal. Mas vejo tanta gente procurando emprego por aqui, que achei válido compartilhar a minha experiência – portanto, de novo, pessoal. Minha intenção é ajudar porque eu sei como é difícil essa fase e eu fui muito ajudada. Se você tem uma experiência diferente, compartilhe!

Primeira coisa, e a mais importante – estabeleça suas expectativas e verifique se estas correspondem à realidade.

Explico: existem áreas em que mesmo sem holandês, só com inglês, você vai achar ótimos empregos. Exemplo mais clichê é TI, que tem muita vaga, e ainda algumas áreas como engenharia ou de conhecimento extremamente específico, como de pesquisa.

Mas por outro lado se assim como eu você é um dos sortudos que fez um curso que só no Brasil vale ou só fazendo tudo novamente por aqui poderia trabalhar na área…. bom, o negócio é encarar a realidade.

Quando cheguei aqui, sendo advogada brasileira, já tinha em mente que não iria mais advogar. Eu decidi que não queria fazer a faculdade de Direito de novo, e no momento não posso encarar um master, mas claro, foi uma decisão pessoal. Eu mesma conheço uma moça que está fazendo Master aqui na área jurídica e acho excelente, e ainda outra que está se candidatando para tal. Mas eu decidi que não tenho tempo, energia ou vontade de seguir esse caminho. Então, baseada na minha decisão pessoal, o que eu fiz foi adaptar as minhas expectativas de “emprego na área” para “primeiro, qualquer emprego”.

Encarar  mudar de área de trabalho por si só já é bem complicado. Adicione mudar de país ao mesmo tempo e vai ter a situação em que eu estava. Então antes mesmo de sair do Brasil eu busquei pensar nas habilidades que usava no meu trabalho até então para focar a minha busca em algo que eu preenchesse o perfil. No meu caso eu sempre lidei com pessoas, gosto disso, e era focada em resolução de problemas. Assim minha opção foi procurar em Customer Care, área que tem muitas vagas e alguns que não se exige holandês. Para melhorar, procurei vagas com exigência de português, porque esse poderia ser o meu diferencial. E agora que finalmente achei e estou trabalhando nessa área estou adorando.

Caso tenha dúvidas vale conversar em grupos de expatriados (recebi muita dica legal por lá), achar pessoas da mesma área aqui, e até mesmo conversar os com recrutadores nas agências. Eles tem todo interesse do mundo em te arrumar emprego afinal, eles vivem disso, e podem dar uma luz para qual área você poderia tentar migrar.

Mas aqui vem outra dica: o único responsável por esse novo caminho é você. Ninguém mais.

Além disso arrumar um primeiro emprego já facilita MUITO as coisas. Pode não ser o emprego dos sonhos (normalmente não é mesmo) mas vai ser uma experiência de trabalho daqui no currículo. Meu primeiro emprego foi qualquer emprego, mas não me arrependo – me deu algum dinheiro enquanto achava algo melhor, e uma maior percepção do ambiente de trabalho aqui. E para quem te recrutar isso vai dar mais tranquilidade, afinal vão saber que você trabalha seriamente. Depois do primeiro, tudo tende a ficar mais fácil.

Para mim a primeira oportunidade foi em logística, trabalhando em armazém (warehouse). Tem muitas vagas nessa área, muitas não pedem holandês (só inglês) e a maioria das contratações são temporárias e por meio das agências de emprego, as chamadas uitzendbureau. Onde eu trabalhei não chegava a ser trabalho pesado, embora braçal. Para achar vagas minha dica é procure no google as agências de emprego perto de você, se cadastre em TODAS, e depois vá pessoalmente, em cada uma. Tomei muito não mas em uma, sim só uma, tive um sim. Depois de falar com o recrutador, na semana seguinte ele tinha me arrumado meu primeiro emprego.

Outra dica é Linkedin. Aqui é muito usado, então atualize o seu pro inglês já, e use a busca por empregos, criando alarmes para os termos que você procura. Foi assim que achei meu emprego atual.

Também vale se cadastrar em sites de procura de emprego (Indeed é um dos mais conhecidos, mas tem vários, é só olhar no Google). E de novo, criar alertas para as buscas, assim você vai receber novas vagas já no email.

Fora isso é persistir, falar com as pessoas, ficar de olho, ir nos eventos das agências. É difícil sim, mas não é impossível, e a Holanda ainda bem está em um ótimo momento econômico. Então, o negócio é correr atrás das oportunidades e aproveitar.