blogueiras brasileiras na holanda · vida de imigrante

3 coisas que aprendi na terra dos tamancos

Essa é a primeira postagem coletiva do #blogueirasbrasileirasnaholanda ❤ Participam as queridas autoras dos blogs Melissa na Holanda, Holandesando, Ana de Amsterdam, The Nerdylands, Diário de Prato, Bailandesa, Metamorfose Fashion e Little Jujuba. Além disso temos as vloguers Joyce Aurora, Nattya Wolff, Carol Alves e a instagramer Holandices .

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Sair do seu país é sair – literalmente – da sua zona de conforto e navegar rumo ao desconhecido. E por mais que eu nunca vá deixar de ser brasileira, não tem como não mudar e aprender coisas novas estando em um novo lugar, em uma nova cultura. E justamente esse é o tema da nossa primeira blogagem coletiva: os aprendizados e as mudanças causadas pela cultura holandesa. Bora lá?

1. Aprendi que lugar paraíso, se é que existe, não é aqui na terra não.

Tá aí uma coisa difícil de explicar para quem não mora aqui. Não, aqui não é perfeito. O Brasil está longe de ser perfeito também, claro, mas essa ideia que muita gente tem que tá na Europa tá no céu…. não é bem por aí.

Primeira coisa: a gente ganha em euro sim, mas paga conta em euro também. E trabalha muito, ainda bem. Esquece a ideia que desceu do avião e pronto, tá rycaaaa.

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É vida normal. Aqui o trem atrasa – ás vezes nem aparece. E é lotado, e o povo corta fila na caruda para entrar. Além disso tem gente muito mal educada que quase te derruba no chão e nem pede desculpa.

Nem tudo é baratinho, aliás tem coisas beeem caras – sim, mais caras que no Brasil. Comer fora, por exemplo, é luxo. Holandês vive de marmita. Médicos daqui, para desespero dos expats em geral, em 99,9% dos casos vão te dar um paracetamol e te mandar descansar – exame só se você estiver morrendo. E esquece ir direto no especialista, primeiro você passa com o seu médico de família e só se ele deixar muito você pode ir, digamos, em um dermatologista. Nem pagando do bolso você pode ir direto

Ah, sabe as bicicletas fofas que você vê em fotos? Roubam aos montes, por isso sempre use uma corrente (ou duas). Bebedouro é algo quase que inexiste. A política é complicada, a relação com as minorias então nem se fala. Enfim, mil coisas que só quem percebe quem vive o dia a dia.

E ainda assim adoro morar aqui. Como adorava morar no Brasil. Acho que aprendi que tenho que me adaptar e ver as coisas como são, lado positivo e negativo, sem complexo de vira lata nem de princesa.

2. Viver de acordo com a previsão do tempo.

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Aqui não existe isso de sair de casa sem consultar o app da previsão do tempo. O mais tradicional é o querido Buienradar, literalmente radar de chuva. Porque mesmo que o sol esteja estalando lá fora, acredite, pode chover em literalmente 2 minutos. E a temperatura pode cair 10 graus e você morrer de frio.

Depois saber da previsão do tempo para os próximos dias é chave para engatar papinho com holandês (e até não holandeses já adaptados). A gente sempre quer saber se vai dar para sair de camiseta um dia.

E tem o sol, esse fofo, que quase nunca aparece por essas bandas mas quando vem, é VIP. Primeira regra da primavera-verão na Holanda: aproveite os dias de sol. Como se fossem os últimos, porque talvez sejam mesmo os últimos do ano!

Taí uma coisa que nunca achei que faria, nunca liguei muito para dias ensolarados porque né, no Brasil é quase todo dia. Agora, aqui, mesmo tendo coisas para fazer, se eu posso, adio tudo para poder sair e aproveitar o sol.

E não sou só eu, claro. Parece que brota holandês do chão nos dias de sol, nunca se vê tanta gente na rua, cuidando do jardim, andando de bicicleta, andando no parque, tomando uma cerveja no markt – qualquer coisa, desde que lá fora. Holandês aproveita e muito os dias de sol, e agora eu também.

3. A ser mais organizada com a minha agenda. Mas também que ser tão organizado às vezes fica chato.

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Indispensável.
Aqui as pessoas vivem pelas agendas. Tá, eu sempre amei uma agenda também, e não curtia gente aparecendo do nada na minha casa para flagrar meu look faxina em todos seu esplendor. Mas aqui, sério, é outro nível. É agenda nível pró.

Explico.

Suponha que você queria ver alguém da sua família holandesa. Primeiro você convida, aí a pessoa checa na agenda dela a tal data. Geralmente ela não pode, aí ela te fala quando pode. Aí você checa na sua agenda e vê se você pode. Se você tiver sorte isso termina rápido, mas sério, pode causar um loop eterno de checar na agenda. E isso é chato, muito chato. Esquece aquela cerveja espontânea ou passar na casa de alguém assim do nada. Isso não existe aqui, pelo menos com os dutchies.

Por outro lado você sabe o que vai acontecer na sua vida com antecedência, o que vai ter que fazer, e até quando não vai fazer nada. E mais lindo de tudo, coisa que amo aqui: não tá a fim? Você diz NÃO e pronto, tudo bem, não precisa de justificar, inventar história, nada. Só diz que não dá e ponto.

E ninguém morre por causa disso. Tem coisa mais linda?

***

A vida é mudança. Mas acho engraçado como as mudanças de verdade estão nos pequenos detalhes, onde se percebe a adaptação. Não é fácil, nem sempre é divertido, mas com certeza essa experiência de deixar tudo para trás e começar algo novo é o maior aprendizado que se pode ter.