vida de imigrante

A saudade que nunca vai embora

E eles vieram, finalmente. Em dezembro meus pais vieram me visitar pela primeira vez.

Finalmente vieram até aqui. Enfrentaram o frio, a neve, a distancia, a comida de avião, tudo para conhecer minha vida nova, minha casa, meus amigos, minha gata e meu novo país.

Existe uma ironia em ser adulta perto dos seus pais. Eu tenho muita sorte no quesito pais, mas não estava preparada para como nossa relação ia continuar a mesma e ao mesmo tempo mudar completamente. Continuamos dando risada da cara uns dos outros, e meu pai agora inclui meu marido, com quem ele faz piada mesmo que um não fale a língua do outro. Não estava preparada para ver como a vida suavizou os dois, que ainda são extremamente fortes, mas com uma doçura que eu nunca tinha visto antes. Talvez já estejam virando avós mesmo sem eu ter tido filhos, não sei. Ainda tenho vontade de esganar um ou outro de vez em quando, mas agora sorrio vendo os dois como adolescentes com o celular na mão fofocando com os amigos antes de irem dormir. Ou assistindo televisão com a gata.

E aí, de repente, eles foram embora. E a minha casa minúscula parece gigantesca, e tão vazia que o marido decidiu deixar a árvore de natal porque seria muito triste tirar agora. E a gata ficou carente.

A verdade é que só tenho saudade dentro de mim. Uma saudade que mora em mim já, que no dia a dia fica ali, pequenina, só me espreitando enquanto eu me distraio com mil e uma atividades. Não tenho saudade da minha antiga vida, nem arrependimentos, nem do sol imagine, nada nada. Mas sempre vou sentir falta de algumas pessoas, e principalmente deles. Porque eles me definiram de uma forma que ainda me surpreende, e me apoiam de uma maneira que vai muito além do que se espera de um pai e uma mãe. E como sempre eu penso que eu não estou lá. Estou aqui, vivendo a minha vida, me tornando mais eles a cada dia que passa. E tentando estar sempre ao lado, mesmo tão longe.

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